4 de fevereiro de 2014

Cair e levantar - Esquiar e outras coisas por aí

Uma aventura gelada era o que me espreitava. De frio eu não tinha medo, já havia morado por 9 anos na Holanda e não seria o geladinho dos Estados Unidos no inverno que me faria gemer fora do meu país tropical.

Aprender a esquiar era mais um de meus sonhos, minhas metas. Esquiar não é apenas descer uma montanha, rolar na neve, marcar no branquinho suas passadas. Esquiar exige uma prévia organização, roupas, aulas, aparelhagem, só o processo para chegar a esquiar em si já é um evento.

Nessa viagem deliciosa, contei com a ajuda da minha amiga Christine Bonorino que mora há 17 anos e meio em Denver e uma hora e meia de viagem das montanhas onde iríamos esquiar. Sonhávamos. Esse ano completaremos 50 anos.

Quantas metas e sonhos eu nem acreditava que fossem possíveis? Inúmeras. Várias vezes reli meu próprio blog desconfiada das agruras e medo incomensurável do sucesso que poderia me estagnar durante o percurso.


A pista já denunciava o que aconteceria. Não me esqueça - dizia o nome de uma das pistas em inglês. Quanto mais alta a pista, mais misteriosos os nomes.

Aquele mar branco me esperando, bem diferente do mar da Barra da Tijuca onde eu praticava stand up paddle. Inusitado aprendizado com nova envergadura de pernas, braços e emoções.

No entanto, não foi lá em cima que comecei. O início é cá de baixo, espiando as alturas em reverência, vendo passar esquiadores rasgando a neve enquanto descem a montanha. Até crianças de 8, 10 anos descem animadas pelo despenhadeiro. Sem sustos.

A experiência que eu acreditava que seria simples e o aprendizado que imaginei rápido não eram assim tão evidentes.

Esquiar é se permitir largar na descida. Confiar, acreditar que você consegue frear quando quiser. O mindset do esqui é diametralmente oposto e diverso dos outros que eu vinha praticando. Outras práticas, limpar a mente e reprogramar.


E eu que pensava que sabia tanto, não sabia nada. Enquanto eu subia naquele elevador, eu na natureza ao redor e me deparei com pontos de interrogação. Foi preciso uma professora para me explicar que seria original, de requentar a alma, cair e levantar. Içar-se do chão.


Divertimento à beça em pleno inverno com diferença térmica de 50 graus para o Rio de Janeiro, 10 graus abaixo de zero.

Fora a temperatura, a altitude e o jet lag, 5 horas com o relógio para trás.
Na cabeça, só tinha uma vontade, uma tensão misturada ao tesão de chegada, de dominar os pés e a neve branquinha que deslizava.


Os sobes e desces me atordoavam um pouco, não sei se pelo cansaço - cheguei num dia e no outro fui imediatamente esquiar - ou pela dimensão do desafio. Somos tão capazes quanto pensamos. Somos tão heróis como nos fazemos ser.


O primeiro dia foi suadouro. Duro, longo, das 9.00 às 15.00h, obrigada a levantar um milhão de vezes, atolada na minha sistemática memória de um esporte que nunca pratiquei.

Tudo que eu sabia era para eu esquecer. 
Que me sirva de lição aos novos ares que se respira. 


Valeu o dever de casa de três dias. Valeu o apoio incondicional de Christine e nosso olhar aos 50 que vinham por aí.


Vamos em frente. Continuarei minha história de frio e calor humano.

Beijos

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