24 de julho de 2013

Papel do papa

O papa chegou. E nós chegamos juntos, reacendendo nossos corações religiosos para o ser iluminado do Francisco.



Pelas frestas das nossas crenças esquecidas, o papa entra e faz morada, quieto e docemente. Sem alardes invade corações e mentes desacreditadas. Cena de rua: cria-se uma devoção pública, uma loucura de pop star logo na chegada papal. Todo mundo quer pegar, tocar, nem que seja uma lasquinha à toa. A necessidade do toque para guardar para sempre colado na alma.



Em 2013, eu fui a Roma e vi o papa lá no seu habitat natural. O coração realmente enche a ponto de palpitar violentamente e raspar quase a boca no ímpeto de sair. Aqui os corações parecem pular indistintamente e divagar pelas ruas.

Enquanto isso, nas palavras de CT, uma amiga muito linda, o Papa Folia - uma espécie de micareta cristã - vira o hit do momento. Tá tudo dominado. A loucura transforma os dias em festa, carnaval e ano novo em comunhão.

O mundo das religiões estacionou no Rio. Parou o trânsito - até o metrô foi misteriosamente freado. As pessoas não se param, se aglomeram, se agitam, se relembram de suas fés mais amornadas.

O papel do papa é muito maior que uma visita. Jornada nas estrelas. Coisa de outro mundo. Movimenta multidões e valores. Sacode uma cidade e um país inteiro. Integra, une, acrescenta, divide, multiplica. Como os pães.



Uma jornada de transformar todos em juventude. Injeção de ânimo. Ele traz a simplicidade para a vida da gente. Faz perceber que um simples carro transporta com tanta alegria ou maior até que um helicóptero. Traça comparativos.

Seu cafofo é sem luxos. Para que os luxos? Como se rodear de luxos se falamos de acabar com a pobreza? Valores de coerência. Grandes ensinamentos para o Brasil dos políticos.

O papa conhece seu papel e olha para fora no horizonte. Mostra não o discurso, mas o toque e a palavra íntegra.

Papel de exemplo, papel limpo, papel humano. Exerce o papel de nos permitir sonhar de novo. Amar de novo. Espiritualizar-nos de novo.

Papa Francisco, depois de seu papel, está tudo certo, tudo ok.
Estamos papamente abençoados.


Sigamos, ao seu lado, juntos à simplicidade e à coerência, palavrinha que faz falta por entre os políticos desse Brasil.

Nossos agradecimentos por sua ilustre presença e pela sua bondade em se mostrar tão Franciscamente bonito como é.

Certamente sentiremos saudades.

Beijos fiéis.

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