28 de maio de 2013

Nem tudo na vida são flores

A Paula que trabalha comigo chegou no escritório hoje com alergia. Imediatamente, eu fico preocupada e procuro dar uma ajudinha, pensando no que teria causado a alergia.

Ficamos no estilo pensadoras imaginando os reais motivos de uma alergia: a mudança de tempo, o ar condicionado, cheiro forte, talvez até o mau humor que, às vezes, passa através do vento.

Nem todo o dia é dia de festa. Nem todo dia é dia de saúde, 100% de energia. Não é todo dia que a gente suporta manter o bom humor, não importa o que e quem à sua volta.


Ninguém é de ferro, nem mesmo eu. Hoje senti o corpo dolorido de tanta tensão. Por alguns bons minutos, as flores desapareceram do meu universo. Eu só bufava, em uma ira tensa e absoluta.

Tudo meio negro, arisco. Irritando a garganta. Eu não me lembrava das cores, nem das flores. Só me dava conta da dor na coluna, na retenção de raiva.


Na hora em que não se vê flores, o tempo fecha e a meteorologia prevê chuvas e trovoadas. Em alguns lugares, a ausência de flores causa furacão nos nossos tempos modernos. Há de se fazer atenção para esses momentos para que se evite catástrofes humanas como recentemente somos confrontados no Brasil e no mundo.

Mágoas, rancores, momentos irritadiços criando furacões imensos e desastres sem fundamento. Alerta máximo na sociedade.

Eu ali no caminho do escritório, estática. Silenciosamente me dou conta de que coisas ruins provocam sentimentos ruins no nosso corpo. Adoecemos.

Pausa e corta para a próxima cena.

No momento em que coloco os pés no escritório, fico de frente com Paula. E com muita alergia. Tossia, espirrava forte, tinha dificuldade de respirar, apertava o lenço contra as narinas para não contaminar todos os outros. Mal falava, segurava as palavras para conseguir respirar. O seu não transformou-se em dão (totalmente anasalado). Até o não de Paula era engraçado e simpático. Era quase um sim.

Eu, vento e furacão. Paula, mesmo com tanto espirro, tosse, sorria abertamente. Paula cobria de flores o ambiente.

Olhei sem jeito para os lados como se não ousasse mais transpirar tanta energia negativa. Olhei mais uma vez e vi Paula e Fabiana alegremente trabalhando. Todos os dias, dia após dia, ali anos a fio ao meu lado, saudáveis, adoentadas, alegres ou tristes, suportando meus dias com flores e dias sem flores. Sem hesitar.

São quase 10 anos de casamento com elas. Uma vida. E, bem na minha frente, a maior lição do dia - quiçá de uma vida inteira: certamente nem tudo na vida são flores. Contudo, se você estiver atento, perceberá que há flores em tudo na vida. Então mesmo no dia em que nem tudo são flores, repare nas flores à sua volta.

Imagine o instante de abrir a porta. Os sorrisos que encontro inundam meu dia. Florescem minha alma.



Como são grandes as coisas pequenas. Como são gigantes minhas meninas.


Deus, você aí de cima, obrigada. Como tenho sorte na vida!
Logo cedo pela manhã, chego ao trabalho e dou de cara com bochechas rosadas, olhares límpidos, sorrisos sinceros e corações sempre no astral das estrelas.

Aonde havia chuva, crio meus barquinhos e brinco. Aonde havia trovoada, eu sopro e pego o catavento para aproveitar a ventania.


Pouco a pouco, vou dissipando o furacão, a tensão, a ira.
Abro a mão para colher a água da chuva. Abro a mão para colher a alegria.


Abro a mão para a vida, mesmo quando me assusto com minhas alterações de humor. Não tenho a audácia de me achar perfeita, longe disso.

No entanto, vejo os raios de sol na chuva. É um caminho de aprendizagem sem volta. Há sóis sempre. Basta você abrir a porta. Virar a cabeça. Acordar. Passear. Ir.

Sempre haverá flores.
Em dias de bom e mau humor. As flores estarão lá. Cabe a você reconhecê-las e deixar que o cheiro das flores seja mais forte do que o cheiro dos momentos ruins.

Depois que eu vi a Paula e a Fabiana, vi muitas outras flores reconhecidas através de muitas pessoas que encontrei no dia.

E termino a noite, vendo  meus filhos, lindas flores, e me preparo para dormir.
Com tantas flores pelo caminho, não há tensão que resista, nem mau humor que perdure.

Cubra-se e rodeie-se de flores.

Beijos floridos.

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