25 de maio de 2013

Confissão

Eu confesso publicamente. Talvez porque seja sábado, antes do domingo, o dia de missas e religiões.
E confessar, falar abertamente liberta a alma, o espírito.

Urge confessar para desafogar a garganta e prosseguir mais leve. Como você, assim como nós. Amém.

Quando cheguei ao Vaticano, meu coração pulsou tão enlouquecidamente que chegou a pular da boca. E daí uma vontade enorme de me confessar. E por que não nos confessarmos?

Eu confesso diante de olhos que me leem como se fosse uma confissão pública. Desanuviar de confissões.



Confesso que sonho em casar. Tudo comme il faut. E que, de tão romântica, chego a me derreter, mas parece que o mundo à minha volta ainda não sabe. O casamento tem que ser lindo, igreja (ou lugar bem especial), meus amigos, um noivo (aonde está você que se esconde, hein?). Com meus filhos entrando na igreja, meus tesouros à minha frente.



Confesso que, quando eu era pequena, achei que ia voar como um pássaro. E ainda sonho, por isso já voei de asa delta, helicóptero, pulei de prédio de 108 andares e agora quero pilotar um pequeno avião. Será que um dia ainda voo de verdade?



Dou risadas altas que chegam a irritar quem passa por perto. E que até acho graça quando meus filhos reclamam. Acho regras, as regras muito amarradas muito chatas, apesar de viver num mundo cheinho delas.


Confesso que tenho medo de injeção e corro apavorada - e olha que não sou tão medrosa assim. Que congelo os olhares no enfermeiro como se congelasse meu medo, mas ele continua a se debater.

Que não suporto dormir com luz nem com porta de armário aberta. Parece que o sono vai sair pela luz ou entrar pela porta.

E me confesso mais: adoro meu lado artista, sempre quis ser atriz e não cheguei lá. E por isso talvez goste um pouquinho da ribalta, dos aplausos, dos afagos que recebo.



E confesso, baixinho, que minha infância nunca vai terminar e que finjo uma adultice para não ser reparada na nossa sociedade moderna. E, enquanto isso, a criança fica sempre dentro de mim brincando sem parar.

Confesso que tenho paixões caladas, totalmente platônicas, porque nunca tive a ousadia de falar, apesar de tantas outras ousadias que tenho. Talvez eu devesse confessar...



E a minha vontade louca de ajudar um mundo inteiro é de se confessar. Quero paz para criar paz ao meu lado e em todos os cantos do planeta.

Confesso minha nobre ousadia em achar que posso mudar, melhorar esse mundo e tornar as pessoas mais felizes.

Nessa confissão, deve caber o réu confesso em dizer que sonho alto, muito alto, porque vivo e pulso. E urge confessar e sonhar. Porque, se pensarmos bem, nossos sonhos só acontecem quando são tão reais na nossa mente que eles simplesmente acontecem. Que somos poderosos em transformar sonhos em deliciosas realidades se nos abrirmos para a nossa energia interior.

Quando meus olhos brilham, eu sonho. E sorrio para dentro e para fora, serena.
Gostosos sorrisos internos.


Sonhar e confessar é basicamente viver. Se não sonharmos e confessarmos ao mundo, como saberão? Como as energias mais fortes saberão nos alegrar com uma realidade tão sonhada?

Sonhemos, pois, sonhemos muito.
Que há alguém nos escutando capaz de transformá-lo num momento lindo da sua vida.

Hoje eu sonho e confesso. Amanhã também, porque não temo as avaliações de religiões, pessoas e mentes.

Confesse agora. O que move a sua vida?


Beijos sonhados.

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