12 de novembro de 2014

Retratos do dia a dia - jogo de perdas e ganhos

Uma foto de um dia comum. Retrato do que se passa lá fora e aqui dentro.



Das semanas ferventes de verão a um ar ameno depois da chuva. Fotos que se guardam na memória. Do dia em que saltei de um prédio de 108 andares ao dia de Ano Novo na laje. Da viagem a Itália, aos sabores e à história italiana, do passeio pela primeira vez a Buenos Aires aos primeiros passos de tango.

Todos devidamente registrados em foto e imagem de mim mesma. O que se passou vale pelo que fica emocionalmente dentro do peito. O que faz ritmar o samba da alma, agora que o carnaval se aproxima. Lembranças da Unidos da Tijuca e do carnaval sensacional do ano passado.

Retratos gravados e cravados na memória e inspiração para os dias passageiros. Onde estão nossas atividades que fazem o coração pulsar, como anda o ronronar do motor? Onde está a energia vital para aproveitar o mundo a cada minuto que passa?

O arco-íris surge no céu e me lembra de brilhar de novo. As levezas e momentos que ficaram para trás servem como catapulta para que eu pule na minha frente e comande reação: Avante, vai!

Medos e inseguranças que seguram nossas feras enjauladas. Um lado quer saltitar, outro lado teme, duvida, pensa demais. Nem todo dia é dia de festa.



Fotografamos os sorrisos, compartilhamos as alegrias e, na hora do aperto, o que se faz com esses retratos? Escondemos os retratos na gaveta da memória? Fingimos que só se vive de sorrisos e glórias? Universo pequenino dos contatos banais.

Desejo de ferro e fogo, corpo e alma. As boas coisas que sempre trazem coisas ruins na boleia e os pontos ruins que sempre nos abrem a porta para outros caminhos. Aprendizado contínuo no jogo da vida de perdas e ganhos.

Desorientação para novas engrenagens. Revisão do carro para retomar a estrada. Avaliar o óleo, a água, as águas choradas. Temperar o vento com novas direções do ar. Destrambelhar as ideias para se permitir sonhar e voar alto com os sonhos.

Permanecer na inauguração constante de pensamentos bons, inaugurando-os um a um nos momentos seguintes aonde for necessário aplicar. Arrefecer jamais.

No álbum dos retratos do dia a dia, existem as escolhas dos certos e dos incertos. Podemos até descartar as fotos menos interessantes, mas elas estarão lá para nos lembrar que é necessário fotografar mais e mais. Até acertar o compasso da vida.

Viver é ato dinâmico. Vez por outra surge outro arco-íris para fazer festa no céu e novamente lembrar que é fundamental continuar e permanecer agarrado ao que você acredita.

Eu te agarro e agarro minhas conquistas. Tiro fotos interiores e brinco de pique-esconde, amarelinha, estátua - para fingir que parei - e retomo o jogo da vida.

A conclusão que chego é tão clara: tem que saber brincar, amar, errar, acertar, sem nunca desistir dos sonhos. Uma hora você abre a porta, fecha a janela, toca o telefone e ele está lá: o sonho. Sem mais nem porquê.

Na hora de reconhecer o sonho, fotografo, faço download de dados - salvo escondidinho dentro de mim. Vida louca, que graça teria se você fosse horizontal e igualmente óbvia. Nenhuma, não haveria outros retratos.

Salve a diversidade das fotografias.
Beijos e minha homenagem a uma amiga muito querida: Soraya Venegas

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