12 de julho de 2013

Amor possível

As paradas da vida trazem grandes ensinamentos, disso eu já tinha ciência. Talvez, nesses momentos mais desavisados, os ouvidos e a percepção estejam docemente abertos para que entrem novidades.

Eu, na impossibilidade de movimentos, e veio Márcia ao meu encontro. Com a recomendação expressa de não fazer piadas ou contar histórias engraçadas para não me fazer rir, já que doía até a alma. Ossos do ofício de quem se quer melhor.

Márcia, comprometida com o encontro e com os acertos anteriores, lembrou de cenas do nosso passado, de nossas vidas. Viajamos no tempo, nas experiências. E Márcia, questionadora de carteirinha, puxou suas sacadas mais incríveis, tipo pedra filosofal, e lançou a frase e a teoria do Amor Possível.


Sempre fixo o olhar em Márcia quando ela inicia com seus pontos de interrogação e repentinamentos assuntatórios (amo os neologismos).

Amor possível. É aquela coisa de "ah, tá". Ou então: "óbvio, né". Nada mais complexo que isso. Temos todos a tendência de simplificar as amorificações. E reinstruir o coração. No entanto, a modernidade intensa e angustiante nos coloca rapidamente diante das possibilidades impossíveis dos amores.

Os amores de hoje em dia, em todas as tintas, em todos os formatos de barro, recaem para lados de agilidade cibernética, namorando simpaticamente com mídias sociais.

Somos engolidos - se não estivermos atentos - por amores menos vividos em vida olho a olho e muito mais por troca de avisos virtuais. Idolatramos os impossíveis, porque há tanto produto nas prateleiras.
Ignoramos os detalhes, as avaliações mais próximas, as palavras pronunciadas e tudo passa tão vigorosamente avião a jato.

Amor possível. Revisão da frase. Isto não significaria amor moderno, de Internet, de conexões rápidas e esquecimentos mais rápidos ainda.

Amor possível. Amor atento. Amor calmo. Amor sensorial. E não falo só de amado-amante, amante-amada, mas da complexidade inexorável de todos os amores que têm sede de possibilidades, sede de encontros.

A desconexão e a partida em outras buscas, outros elos, descompassa o amor possível.
É a câmera que perde o foco no meio de uma importante sessão de fotos.

Olha o passarinho! O amor está aqui.
Arregala os olhos, prende a respiração, fixa.
Segura o amor com as mãos, não deixe escapar.



Acarinhe o amor possível. (Re)descubra as concepções de amor.
Lembre de Márcia. Márcia até hoje se pergunta, mesmo mais educada no tempo que eu. Eu, ainda uma aprendiz, fico atenta, vidrada, enquanto escuto as histórias.

O que seria possível no amor? Pois acredito em tudo.
Aqui no cochicho da nosso bate-papo, entrego logo: acreditar, eu acredito. Pratico, contudo, essa acreditação? Não sei, não. Ando pouco exercitada nessa área com músculos flácidos. Na necessidade urgentíssima de carregar os pesos, reforçar o peito e as artérias do amor.

Bem, se o amor é possível, inicio imediatamente a série de exercícios.

Voltaremos ao bate-bola.
Bom fim de semana.

Beijos amorosos.

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