3 de abril de 2013

Asas da liberdade

O fato de ter optado por voar de asa delta depois de uma vida inteira, morrendo de medo só em pensar na ideia, o fato em si já é interessante.

Aí você se convence que é para conquistar um desafio e nem sente um tremorzinho, já começa a ficar esquisito. Como é possível que por uma vida inteira ano gritando aos 4 ventos que nunca pularia de asa delta eu estava ali, feliz e faceira? De onde vinha tanta alegria e tanta disposição?


Tenho certeza absoluta de que, quem me conhece bem, teve dificuldade de identificar a mesma Vera nas fotos. Algo havia mudado. Para melhor.

Lá embaixo eu olhava para as montanhas e que vontade de estar por lá novamente. Todas aquelas asas pousadas e eu com meus olhos pousados no céu.

Fiquei ali pertinho por uns bons 15 minutos, admirando. Como é azul o céu e como é de um lindo verde  a natureza na montanha. E que cores!


Enrolada, ainda fiz uns cliques meus e levava até na roupa e nos óculos azuis um pouco do céu grudado no corpo.

Pura diversão antecipada. Porque a alegria não vem só no momento da decolagem ou do voo. A alegria começa no momento da decisão de voar e só cresce.

Crescia a alegria e os questionamentos.

Como descrever as mudanças que se passaram e na rapidez que se estabeleceram? Havia aqui dentro de mim sonhos, ideias, vontades grandes e, ao mesmo tempo, grandes medos, temores, inseguranças enormes. Como mover o corpo e a alma para a mudança até o voo mais alto da sua vida?


No domingo, eu fiz meu segundo voo para sentir novamente a sensação e entender o que se passava dentro de mim. Novamente nenhum friozinho na barriga, só alegria, alegria, alegria. De criança até. Ruy Marra, o instrutor brincou comigo dizendo que decolou com uma mulher e pousou com uma menina. Era exatamente assim que eu me sentia.


O olhar era para frente, para o infinito. O corpo exalando, inspirando e cada vez mais forte.
O momento se aproximava. O clímax.


Eu ainda virei para o lado e sorri como se dissesse, que deliciosa aventura.
Estava pronta para voar. E corri loucamente para rampa, para a decolagem, para a mais profunda liberdade.

Sonhar acordada. Acordar sonhando. Eu já não sabia onde começava um e acabava o outro. Tudo se misturava ali no alto, no meio da natureza junto com o Ruy.


Olhem o sorriso gigantesco, dá para explicar?
O meu peito ficou tão inflado de boas sensações que o sorriso não se fechava.
Impressionante demais. É difícil eu mesma me reconhecer se me comparar a Vera de um ano atrás.


E quanto mais voava e revirava os olhinhos durante o voo, mais grudava em mim a ideia de que sua felicidade vem de seus pensamentos, sua vontade move o mundo e você mesmo. Sua força interior te leva e pode te levar para longe, muito longe.


Por isso, quem me levava não era a asa, mas meus sonhos. Estes me levariam aonde quer que eu quisesse chegar. Eram fortes sonhos, sonhos tão sonhados que o traçado até eles eu já tinha feito.

Eu voava. Ruy me deixou até pilotar a asa, me deu um gostinho de "quero pilotar sozinha" que, naquele momento, nem ousei em contar para ele. Era de um jeito solto, magistral, impossivelmente livre que eu me sentia. Nas asas da liberdade.


Tudo foi muito mais magnífico de qualquer coisa que eu possa descrever aqui. Só você estando lá, pode sentir o mesmo gosto e saborear as delícias que eu vivi.

A única coisa que eu posso dizer é que voar passou a ser normal e que o céu não era mais meu limite.


Meus sonhos voarão acima das nuvens. Sonharei forte e consistente até minhas realizações.
Acompanhem comigo.

Levem no coração essa coragem e vontade imensa de voar com as asas da liberdade. O caminho está aberto. Vá longe, se deixe levar.

Beijos alados

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